A importância da venda de jogadores no re-equilíbrio das finanças de um clube

Nas últimas décadas, o futebol profissional deixou de ser apenas um desporto, tendo-se convertido também num espetáculo com atores profissionais, os jogadores, e numa atividade económica, em particular na Europa, que envolve e faz movimentar milhões de euros. Muitos clubes de futebol, como os três grandes do campeonato nacional – Porto, Benfica e Sporting e outros clubes europeus como o Manchester United, Barcelona, Real Madrid Bayern de Munique, entre outros, transformaram-se em empresas, designadamente com a criação das SAD´s (Sociedades Anónimas Desportivas), algumas das quais se encontram cotadas em bolsa. Tal facto origina que os clubes de futebol necessitem de uma gestão cuidada e profissional, e que a sua saúde financeira se apresente equilibrada.

A gestão das SAD´s dos clubes de futebol

Nos dias de hoje não podem ser considerados fáceis os atos de gestão das SAD´s, em particular no caso dos clubes mais importantes, que têm a “obrigação” de ganhar títulos e de participarem em competições desportivas de prestígio, como, no caso da Europa, as competições de clubes organizadas pela UEFA – Liga dos Campeões e Liga Europa.

A participação nestas competições são uma importante fonte financeira das SAD, sabendo-se que quanto mais longe os clubes avançarem nas fases dessas competições, maiores são as receitas financeiras que elas proporcionam.

Para que os clubes consigam manter esse estatuto necessitam de terem bons jogadores e bons treinadores, o que é uma condição que acarreta custos elevados no pagamento dos salários e dos prémios de jogo dos intervenientes nesta atividade. Só assim é que os clubes consolidam o seu favoritismo nas casas de apostas online e comunicação social.

As receitas resultantes da bilheteira (a venda de bilhetes para os jogos) e das quotizações dos associados do clube, em particular em Portugal, são insuficientes para cobrir os custos da equipa profissional de futebol, obrigando os gestores a procurarem outras fontes de entrada de dinheiro nos cofres do clube, como sejam a venda dos direitos televisivos da transmissão dos seus jogos, a publicidade, quer seja nas camisolas dos jogadores, quer seja no seu estádio, e o “merchandising” associado aos seus jogadores mais famosos e valiosos.

Acontece porém, que por vezes, todas estas receitas financeiras a que a gestão dos clubes recorre se revelam insuficientes, seja para garantirem a renovação do contrato de alguns dos jogadores considerados chave para a equipa, seja para irem ao mercado de transferências para comprarem o passe de jogadores necessários para o reforço da equipa e colmatarem alguns dos seus pontos fracos, e ainda para cumprirem as suas obrigações perante o fisco.

A falta de recursos financeiros para alcançarem tais desideratos levam os clubes ou as SAD´s a recorrerem a empréstimos bancários para esses fins.

Contudo, o sistemático recurso a empréstimos bancários, e as “loucuras” cometidas por alguns clubes com uma fraca estrutura financeira, pode conduzi-los a uma situação de desequilíbrio financeiro, que é necessário colmatar com urgência. Cabe aqui lembrar que os desequilíbrios financeiros dos clubes podem causar a falta de pagamento dos salários dos jogadores, situação que é sancionada pelas entidades nacionais e internacionais que supervisionam o futebol (Federações, UEFA, FIFA, etc.), que podem decretar a descida de divisão, a proibição de participação em determinadas competições e outras penalidades.

A venda dos passes dos jogadores

Uma das formas utilizadas pela gestão dos clubes de futebol para alcançar o necessário re-equilíbrio das suas finanças é a venda do passe de algum ou de alguns dos seus jogadores mais valiosos, e que ao longo da época se têm distinguido pelas suas exibições, tornando-os cobiçados por outros clubes, habitualmente com maiores recursos financeiros.

Para otimizar o resultado dessas vendas é habitual que os contratos estabelecidos com os jogadores mais valiosos incluam uma cláusula de rescisão, normalmente de valor significativo, o que permite, quando a transferência do jogador se concretiza, fazer entrar mais dinheiro nos cofres do clube.

Em Portugal a venda dos passes dos jogadores das SAD´s cotadas em bolsa tem que ser obrigatoriamente comunicada à CMVM (Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários).

Vantagens e desvantagens da venda dos passes dos jogadores

A venda do passe de um jogador é um ato de gestão que tem que ser cuidadosamente equacionado e pensado pelos responsáveis. Esta atitude apresenta como vantagem possibilitar o re-equilíbrio das finanças do clube, e no caso de jogadores, que embora valiosos, causem problemas com o treinador e os outros jogadores, permite melhorar o ambiente do balneário e, eventualmente, o rendimento e o desempenho da equipa; não está, contudo, isenta de desvantagens.

A principal desvantagem da venda do passe de um jogador valioso e chave, é o enfraquecimento e a criação de desequilíbrios na equipa, em particular se o clube não tiver disponibilidade financeira para, no mercado, comprar o passe de um outro jogador que possa ter uma influência na equipa semelhante àquela que tinha o jogador cujo passe foi vendido.

Por essa razão os principais clubes de futebol têm vindo a apostar na formação de jogadores, para que possam dispor de jovens com grandes capacidades, que não só possam vir a integrar a equipa principal e atenuar o desequilíbrio provocado pela venda, mas que também no futuro se transformem num ativo importante do clube e cujo passe possa vir a ser vendido com um lucro considerável.

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