Vantagens e desvantagens da naturalização de jogadores

É prática comum no futebol, os jogadores estrangeiros pedirem a nacionalidade do país onde estão a jogar. A boa integração na nação e na equipa, o sentimento de “viver em casa” e a vontade de retribuir ao país de acolhimento a boa aceitação de que foi alvo são motivos que pesam na hora de pedir a naturalização. Contudo, esta atitude traz vantagens, mas também algumas desvantagens para a modalidade.

A multiculturalidade no futebol é um facto. E a naturalização de jogadores é cada vez mais frequente. No último Mundial de Futebol esse facto foi bem visível, com número de atletas naturalizados a representarem as seleções dos “novos países” a aumentar largamente.

As principais vantagens da naturalização de jogadores

1. Inovação técnica

Os jogadores naturalizados têm certamente outras técnicas, que diferem das aprendidas pelos nascidos num país. Ter diferentes tipos de jogadores numa seleção possibilita uma maior inovação técnica dos treinadores que dispõem de atletas que beberam outra cultura futebolística e cujas técnicas aprendidas durante a infância e adolescência podem diversificar o estilo de jogo da seleção e ajudar o país que escolheram a ganhar títulos.

2. Dinamizar o futebol

Muitos jogadores estão num país (que não o de origem) desde muito pequenos e devem o seu percurso e sucesso profissional a essa nação. A sua naturalização vai permitir que estes retribuam o investimento feito por um clube, representando esse país em competições mundiais e sendo uma mais-valia para a seleção nacional. Muitos atletas chegaram até a viver mais tempo no país de acolhimento do que propriamente no de origem.

3. Vantagem estatística

A naturalização de jogadores pode ser útil para alguns clubes de futebol que se vêm acusados de terem demasiados atletas estrangeiros. Por vezes, estes são responsáveis pelo bom desempenho de uma equipa, que não tem capacidade financeira para ter craques nacionais. A naturalização é boa para as estatísticas de um clube, que cumpre as quotas e consegue obter um melhor desempenho desportivo, uma vez que esses jogadores são um acréscimo de qualidade.

4. Evolução na carreira

A naturalização para um atleta pode significar um passo na evolução da carreira. Ao ser considerado nacional de outro país terá a oportunidade de representá-lo na seleção, situação que muitas vezes lhe é negada no país de origem, por estar demasiado distante e o seu trabalho não ser reconhecido.

5. A produtividade

Em muitos casos a produtividade do jogador melhora, pois sente-se acolhido e fará tudo para retribuir a oportunidade que lhe foi dada. Traz uma nova dinâmica para a equipa, maior motivação e novas técnicas de jogo.

As principais desvantagens da naturalização de jogadores

1. Ambição desmedida

Um atleta pode optar por pedir a naturalização não por se identificar com o país, a cultura e a população do local onde se encontra a viver, mas por ter aspirações profissionais que não consegue cumprir no seu país de origem, mas que irá realizá-las se se tornar cidadão do país onde se encontra a jogar. Pode significar uma oportunidade de integrar a seleção nacional e, no fundo, de vir a defender um país não por acreditar nas cores dessa bandeira, mas por desejar protagonismo internacional.

2. Vantagem em relação ao adversário

Existem casos em que é o próprio clube ou federação de futebol que aconselha um jogador a pedir a dupla nacionalidade, pois tem interesse nas suas qualidades desportivas. Quando um jogador é bom e traz um acréscimo de qualidade à equipa nacional, preenchendo uma lacuna no plantel, a sua naturalização traz vantagens para a seleção nacional, que sai favorecida em relação aos rivais, pois passa a contar com um atleta talentoso que à partida não deveria integrar o lote de escolhidos, pois não nasceu nesse país. Assim a equipa ficará muito mais forte e todos beneficiarão com isso: sócios, simpatizantes, adeptos das apostas desportivas, treinadores, dirigentes, empresários, entre outros agentes do futebol.

3. Novas oportunidades

Por vezes, a naturalização do jogador é movida por valores menos nobres. Na impossibilidade de representar a seleção nacional do seu país de origem, o jogador opta por pedir a nacionalidade da nação onde está a trabalhar, pois sabe à partida que assim terá um lugar no plantel de representação nacional. É movido pelo interesse de progredir na carreira, fazendo quase batota, pois está a alcançar um patamar ao qual não teria direito (pois nasceu em outro país), retirando a oportunidade de brilhar na seleção nacional a outros colegas, que efetivamente teriam maior direito a esse lugar.

4. Falta de oportunidades

Quem sai a perder com a entrada de jogadores naturalizados nas equipas, sobretudo nas seleções, são os atletas que nasceram naquele país. Com as federações a preferirem estrangeiros (que entretanto deixaram de o ser) no lote de escolhidos para representar um país, ficam menos lugares disponíveis para os jogadores que nasceram naquela nação e sonham com um lugar no plantel nacional. É o fim do sonho para muitos atletas com talento, mas que não conseguem rivalizar com os colegas que entretanto adquiriram a nacionalidade.

5. Mau estar no balneário

Pode desenvolver-se mau ambiente entre os jogadores “nativos” e os naturalizados, já que os primeiros podem não aceitar que um “estrangeiro” esteja a ocupar o lugar de um colega nascido naquele país e serem contra o facto de estes jogarem por uma nação que não é a deles.

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