A importância dos relatos de futebol na rádio

Como é possível que um veículo de comunicação sobreviva a décadas de inovações tecnológicas e mantenha a sua posição como um dos protagonistas do universo dos meios de comunicação social e do entretenimento? Este mistério pode ser explicado quando vemos a legião de seguidores das transmissões radiofónicas dos jogos de futebol que acontecem em todos os cantos do mundo quando colocam o rádio acima dos craques como o rei dos campos de futebol.

“Rádios de pilha VS Smartphones” ou “David VS Golias”

É comum que, nos dias de hoje, a tecnologia seja utilizada como referência de modernidade e avanço. O mundo globalizado e interligado por meio de diversos meios de comunicação permite que a informação esteja disponível, organizada, e até mesmo manipulada pela maioria das pessoas que tenham acesso a um simples computador ou um moderno smartphone.

Até mesmo a televisão em seu formato tradicional que, durante décadas nunca foi alvo de previsões que proclamassem o seu fim, hoje está em vias de ter a sua soberania ferida de morte com o advento das novas tecnologias de comunicação e seus infinitos e incansáveis gadgets relacionados.

Mas se existe um universo, ou melhor dizendo um meio de comunicação que não se abala ou retrai frente ao ataque maciço das tecnologias de ponta, é o universo das transmissões radiofónicas. Ainda mais quando o assunto é futebol. Existe uma potência universal que dificilmente vai ser ameaçada e que por sua tradição, praticidade e confiabilidade só irá beneficiar das novas tecnologias de captação e transmissão proporcionadas pelos seus “netinhos” gadgets.

Os heróis da resistência no “Dial”

No Brasil, a transmissão radiofónica de partidas de futebol teve como marco o dia 19 de Julho de 1931, num jogo que opôs o São Paulo ao Paraná. O relator foi Nicolau Tuma, ex-repórter policial, que por pura paixão pelo desporto decidiu acompanhar com os mínimos recursos de que dispunha, as partidas que se realizavam de forma ainda precária nos campos e várzeas do estado de São Paulo, o que certamente lhe confere por mérito a honra de ser um dos primeiros repórteres desportivos ao vivo do Brasil.

A narração de um jogo por rádio, tem as suas peculiaridades que graças a grandes profissionais, lhe conferiram um panteão de destaque junto de outras modalidades de transmissão. Uma narração de rádio deve ser feita de forma a levar o ouvinte para dentro de campo, fazer com que ele possa visualizar a partida e identificar ao máximo todos os lances, e isso os locutores da velha guarda ainda sabem fazer como ninguém!

Quem sabe, faz ao vivo!

Uma partida de futebol normalmente conta com uma equipa responsável por informar e descrever desde os lances mais importantes até eventuais detalhes que possam ser interessantes para o ouvinte, sem contudo comprometer o ritmo e a dinâmica da partida. Ele chega até a contribuir para que esta, por mais desinteressante que seja, possa agradar ao torcedor que se encontra distante.

Os preparativos, o som da claque, curiosidades e “furos de reportagem”, são o principal alvo de atenção dos radialistas, seja dentro ou fora de campo. Todos os episódios são narrados em detalhes, nenhum nome ou número da camisola pode ser esquecido e cabe ao narrador transmitir a emoção de uma partida.

Ainda é possível perceber, até mesmo dentro dos estádios lotados, que existem adeptos da era digital e até celulares sintonizados em AM ou FM, onde os torcedores vão agregar a experiência da partida ao vivo com a emoção transmitida pelo narrador e pelos comentaristas. Muitos fanáticos, assistem um jogo pela televisão mas não abrem mão dos comentários de seu locutor preferido, mantendo sempre ao lado o fiel rádio.

Persistente, interessante e eficiente

A transmissão via rádio é hoje uma importante frente de resistência, talvez inconsciente aos limites da tela da TV ou do alambrado do estádio e movimenta valores imponentes com publicidade. Isso sem contar que ainda é uma alternativa aos que se encontram presos no trânsito e não podem acompanhar uma partida visualmente, sendo o entretenimento preferido dos motoristas, entregadores e mesmo pedestres impossibilitados de parar para apreciar uma partida.

Ouvir um jogo pelo rádio é uma experiência inigualável para muitos, pois faz a imaginação voar até dentro do campo, até dentro da cabine da emissora e leva o ouvinte a fazer parte do “staff”. O adepto comum fica a ser uma espécie de comentarista e narrador, parte integrante da partida, a ponto de gritar “Golo” olhando fixamente para o altifalante como se este fosse o seu microfone e como se o seu grito fosse ecoar por todas as rádios do país.

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