Como jogar sem ponta de lança

Um ou dois pontas de lança em campo é a dúvida mais premente da maioria dos treinadores de futebol no que respeita à linha ofensiva. Mas a hipótese de jogar sem qualquer ponta de lança, normalmente só é colocada quando não há nenhum disponível no plantel. Por vezes, ainda que raramente, vemos equipas atuar deliberadamente sem um jogador nessa posição, no entanto tal opção é muito rara.

Quando uma equipa não dispõe de nenhum jogador para essa posição, a hipótese mais recorrente é a adaptação de um atleta habitualmente usado noutras posições; é o caso mais frequente de um extremo que, por estar mais vocacionado para o ataque, é menos difícil de adaptar. Mas esta tarefa só em teoria é fácil; o extremo é, por norma, um jogador rápido e tende a desviar-se para as faixas, não exercendo aquela pressão sobre o “miolo” do terreno que se exige a um ponta de lança puro.

Assim, essa estratégia tem de ser complementada ou substituída por outras ideias táticas que a seguir expomos:

  1. Numa estratégia de 4x4x2, deve colocar-se dois extremos na zona intermédia entre a projeção da linha lateral da grande área e a linha lateral do campo. Dessa forma, estes jogadores poderão combinar com os médios laterais ou defesas laterais de forma a construir jogadas rápidas de penetração na área adversária. Esta estratégia favorecerá ainda a penetração de médios ofensivos pela zona frontal à baliza, construindo situações de superioridade numérica.
  1. Numa estratégia de 4x3x3 o homem da posição central da linha avançada pode ser um típico “número 10”, ou seja, um distribuidor de jogo que atuando muitas vezes de costas para a baliza, pode distribuir jogo pelos extremos ou médios, facilitando a entrada de vários jogadores na área adversária e de frente para a baliza. Desta forma, a ausência de um ponta de lança torna o jogo muito menos previsível dificultando de forma considerável o trabalho dos defesas contrários.
  1. Num jogo perante uma equipa (em teoria) mais forte, jogar sem ponta de lança é uma estratégia que favorece de forma acentuada os movimentos de contra-ataque, uma vez que permite a colocação de cinco ou seis jogadores em condições de conduzir jogo ofensivo, podendo surpreender o adversário e aumentar de forma considerável a velocidade de execução. Da mesma forma, a ausência da referência fixa na área adversária, favorece a mobilidade da equipa, permitindo rápidas recuperações defensivas.
  1. A ausência de um ponta de lança pode ser facilmente colmatada com movimentos verticais, embora exigindo grande mobilidade a determinados jogadores: os defesas centrais, em lances de bola parada ou em situações de ataque apoiado podem subir no terreno cumprindo as funções de finalização, em especial no jogo aéreo.

Em conclusão, podemos afirmar que mais do que uma estratégia de recurso, jogar sem ponta de lança pode ser uma estratégia que, quando bem ensaiada, pode trazer grandes vantagens, pois torna o jogo mais fluido e, acima de tudo, menos previsível, baralhando por completo o esquema defensivo e as marcações individuais por parte do adversário.

 

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